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Análise de O Último Azul, Gabriel Mascaro

  • Foto do escritor: Marcella Virgínia
    Marcella Virgínia
  • 29 de mai.
  • 2 min de leitura

Tereza (Denise Weinberg) é uma senhora de 77 anos que vive em uma cidade do Amazonas e trabalha como faxineira em uma fábrica. Nesse universo distópico, o governo recolhe idosos a partir dos 80 anos e os transfere para uma espécie de colônia, onde devem descansar e aproveitar a aposentadoria até o fim da vida, enquanto os mais jovens ficam livres para maximizar a produtividade econômica, sem distrações.


Muitos aguardam ansiosamente o dia da chegada da eterna aposentadoria e veem a colônia como um lugar de descanso. Não é o caso de Tereza. A quatro anos da transferência, o governo reduz a idade mínima para 70 anos. Tereza deve ser realocada imediatamente.


Tereza reluta e tenta driblar o sistema repetidas vezes para não ser recolhida pelos “cata-velho”, um veículo com espírito de carrocinha. Em busca de liberdade, e de viver o que ainda não pôde, compra uma passagem para outra cidade e embarca em uma jornada de autodescoberta, aventuras e experiências espontâneas, contrariando todo e qualquer estereótipo atribuído à terceira idade.


A narrativa evidencia uma realidade desrespeitosa, intrusiva e até degradante em relação aos idosos. Suas escolhas são corrigidas pelos filhos, e seus desejos, censurados tal como se fossem crianças. Mesmo em um universo distópico, é impossível não reconhecer o espelhamento com a realidade.


Cercado pela Amazônia, o diretor Gabriel Mascaro nos conduz por um passeio intimista pelo bioma. Um olhar desacelerado que instaura um transe sensorial profundo. O naturalismo se mistura a nuances lúdicas, transformando a jornada em uma trilha quase mágica que transporta o telespectador para dentro da tela, quase como se pudesse sentir o cheiro da mata.


Além de Tereza, somos apresentados a diversos coadjuvantes, todos cuidadosamente construídos. Com mais ou menos tempo de tela, nenhum passa despercebido. Cada um

imprime sua personalidade singular e deixa sua marca na jornada de Tereza.


A fotografia se destaca e, assim como a narrativa, transita entre o naturalismo e o lúdico, cuidadosamente pensada para nos conduzir ao caminho, ou melhor, ao sentimento certo. Nessa linha tênue entre o real e o fantástico, é fácil se perder na fantasia sem percebê-la como tal, ela se impõe com a força de realidade. O Último Azul é uma obra crítica e sensorial, que se apresenta como uma verdadeira poesia visual.


Ano: 2025

Gênero: Ficção Científica, Fantasia

País: Brasil

Duração: 1h27

Direção: Gabriel Mascaro

Roteiro: Gabriel Mascaro, Tibério Azul, Murilo Hauser e Heitor Lorega.

Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás, Adanilo Reis, Rosa

Malagueta, Clarissa Pinheiro e Isabela Catão

 
 
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